Eu tenho um conflito sobre arrependimento
Na psicologia, é comum encontrarmos a ideia de que não devemos nos arrepender do passado: "Tudo foi aprendizado." "Tudo me trouxe até aqui." É bonito e faz sentido. Mas será que isso é 100% verdade?
Conforme amadurecemos, mudamos o olhar sobre a nossa história. Aquele curso que não escolheríamos hoje. A viagem que deveríamos ter feito. Ou aquele namoro que, anos depois, nos faz pensar: "Meu Deus, que perda de tempo."
Nem tudo precisa se transformar em um grande trauma existencial. Às vezes, foi apenas uma escolha ruim, da qual damos risada depois.
Quem eu sou hoje teria feito algumas coisas de maneira diferente. Sim. Mas isso não significa que eu queira apagar a vida que veio depois.
Essa premissa dá uma leve pane no sistema, eu sei...
No livro A Biblioteca da Meia-Noite, a protagonista se depara com as inúmeras vidas que poderia ter vivido a partir de outras escolhas. Inclusive, indico a leitura.
Mas o mais interessante não é descobrir qual vida teria sido melhor. Afinal, como poderíamos saber sem vivê-la?
A questão não é acertar todas as escolhas, mas aprender com elas, reconhecer o que poderíamos ter feito de forma diferente e entender que nem tudo precisa ter sido perfeito para ter valor.
A vida não é feita apenas dos lugares aos quais chegamos, mas também de quem nos tornamos enquanto tentávamos encontrar e acertar o caminho.
Amadurecer não é chegar ao ponto de dizer que não faríamos nada diferente. É entender que existem erros irreversíveis, outros nem tanto, e que alguns deles realmente nos ensinam muito.
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