Devemos cobrar por reciprocidade nas amizades?
A gente costuma dizer que, entre amigos, deveria existir liberdade para falar sobre o que incomoda. Mas como pedir mais atenção sem sentir que estamos cobrando algo que deveria acontecer naturalmente?
Nas amizades, existem pequenos movimentos que dizem muito: quem manda mensagem primeiro, quem convida, quem pergunta como você está. E, quando essas iniciativas partem sempre da mesma pessoa, é natural questionar se existe reciprocidade.
Às vezes, basta diminuir um pouco o próprio movimento para perceber o quanto uma relação dependia dele. Algumas amizades simplesmente desaparecem, sem briga ou despedida.
Mas nem toda ausência significa desinteresse. As pessoas demonstram afeto de maneiras diferentes e nem sempre percebem o desequilíbrio de uma relação.
Ao mesmo tempo, compreender o outro não significa justificar eternamente a falta de iniciativa.
Talvez algumas coisas precisem ser conversadas. Outras, observadas. Afinal, amizade não é uma contabilidade de mensagens e convites, mas também não deveria depender exclusivamente do esforço de uma parte apenas.
Penso que reciprocidade não tem tanto a ver com fazer tudo na mesma medida, mas com sentir que existe vontade dos dois lados de manter aquela relação viva.
Talvez a pergunta seja: quanto de uma amizade existe por vontade dos dois e quanto existe apenas porque uma das partes não desiste dela?
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